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O FURDUNÇO É A 'LAVAGEM' DA BAIANA SYSTEM?




O Furdunço é uma festa pré-carnavalesca que ocorre desde 2014 e conta com atrações variadas no domingo que antecede a folia de fato. A idéia inicial era reunir mini trios com artistas locais, misturado com nomes mais renomados, como Léo Santana, Armandinho Dodô e Osmar, e Mudei de Nome. Porém, com o passar dos anos, a atração principal se tornou a Baiana System. Os caras arrastam multidões, e nesse 2025 não foi diferente. Só que esse holofote todo em cima deles, ofuscou outras atrações e teve famoso indignado que não conseguiu participar.

 

O grupo É O Tchan desistiu de desfilar após atraso na saída do Baiana. O vocalista Russo Passapusso pediu antecipação do horário, foi atendido, mas acabou iniciando o desfile mais ou menos no mesmo horário que sairia anteriormente: cerca de 23:30. O É O Tchan ainda solicitou que saíssem antes, mas o Baiana teria negado. E assim, alguns produtores teriam afirmado que o Navio Pirata – trio do Baiana System – era “o dono” da porra toda. “O Furdunço pertence a eles, saem na hora que querem”. E aí? O Baiana System “roubou” essa data pra eles?

 

Esse grupo é o mais esperado e você pode não saber quais atrações vão estar nesse dia, mas se pelo menos acompanha ou tem algum interesse no evento, sabe que a Baiana System vai estar lá e vai botar meio mundo de gente pra segui-los. Desde a primeira edição é assim. Então, Furdunço e apresentação da Baiana é quase a mesma coisa. Eu arrisco, no meio achometro, que 60% de quem se desloca pra lá, quer ver essa banda tocar.

 

O sucesso do Baiana é tão grande que o presidente da SALTUR, Isaac Edington – que organiza essa festança – já tá pensando em criar uma data exclusiva só pro Navio Pirata sair, assim como acontece com Harmonia do Samba (“Melhor Segunda-Feira do Mundo”, segunda após o Furdunço) e Léo Santana (“Pipoco”, na terça que antecede a abertura Oficial de Momo). E então? A saída é essa?

 

Bom, pré-carnaval, na minha visão interpretativa, são prévias de algo maior que está pra acontecer, o próprio carnaval. Então, são festinhas na rua, disseminadas em vários cantos, que acontecem pro folião extravasar sua ansiedade momesca e botar seu bloco na rua sem tumultos, trios imensos, blocos infinitos, camarotes a perder de vista, e outras situações que ocorrem nos seis dias carnavalescos. São ações pequenas, pro cara curtir ali de boa e apreciar um festejo mais genuíno, digamos assim, sem aquela parafernália toda repleta de artistas de prestígio nacional. O Furdunço deveria ser assim – um desfile com minitrios tocados por artistas que estão há anos se apresentando, sem grande marketing. Mas aí colocaram uns renomados e a Baiana System foi tomando conta, até que virou o coração do Furdunço. Com méritos, diga-se de passagem.

 

No entanto, não deixa de ser esquisito um dia programado com muitas bandas, uma ser o centro. Eu mesmo falo que o Furdunço se tornou “a Lavagem da Baiana System”, justamente porque no fim das contas, tudo acaba girando em torno deles. Todavia, não existe nada ideal. Toda a repercussão em torno deles foi orgânica, o folião que curte esse dia o consagrou, e o Baiana não tem nada a ver com isso, tá? Quem cria fama, deita na cama. Quem joga a semente, colhe seus frutos.

 

E ter um dia só deles, como mencionou o presidente da SALTUR? Olha, festa de rua, como princípio, é de todos e não é de ninguém. Individualizar a festa, criando data própria pra fulano ou cicrano, é fora dos padrões. A prefeitura deu brecha e surgiram Pipoco e Melhor Segunda-Feira do Mundo. No meu entendimento, se o grupo ou artista dá a ideia, oferece ao poder público, e ele topa, abre precedente. Daí, ter um “Baiana System Day” é provável. Sou a favor? Não sei. Depende. O que não pode é daqui há uns anos aparecerem festas particulares de artistas na rua, tipo “Mercuraço”, “Timbaladomingo” ou “Quarta da Veveta”. Soube, por alto, que Léo Santana foi retirado da grade do Furdunço, já alguns anos, em razão do aumento significativo do seu público e ganhou de presente o “Pipoco”.

 

Voltando ao Furdunço desse ano, O Baiana System não poderia solicitar antecipação do horário e sair atrasado, o que dá a impressão de que a banda faz seu próprio tempo. Em determinado ano, já no caranaval, estavam programados pra sair às 14 horas e saíram às 17! Pontualidade não parece o forte deles. E aí, a reflexão é a seguinte: vale a pena manter um evento que cada ano se fortalece a presença desse grupo, em detrimento de outros nomes? Em detrimento, falo da perspectiva do próprio folião em relação aos outros artistas. E pensar também pré-carnaval como pequenas deliberações festivas, e não festivais de grande porte. Senão, essas prévias se tornarão máquina de louco.


FONTE:


 

 

IMAGEM: Site Muita Informação

1 comentario

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Áurea Añjaneya
26 feb
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Pois é. A melhor segunda com Xande foi mirrado. Já dava para tirar ele, se comprar com a multidão incomparável que acompanhou o Baiana.

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