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DIA DA MULHER É DIA DE RESISTÊNCIA



O 8 de março não é sobre flores, brindes ou mensagens fofinhas. A história do Dia Internacional das Mulheres vem de muito antes das campanhas comerciais tentarem transformá-lo em um dia de celebração vazia. No começo do século XX, mulheres trabalhadoras saíram às ruas exigindo melhores condições de trabalho e direitos políticos. Em 1909, operárias nos Estados Unidos fizeram greves e, em 1917, na Rússia, um protesto de mulheres ajudou a desencadear a Revolução Russa. Em 1975, a ONU oficializou a data, mas o que ela realmente representa é resistência e luta – e não um dia para ganhar perfume de loja.


O Brasil é um dos países que mais mata mulheres no mundo. Só em 2023, mais de 1.400 mulheres foram vítimas de feminicídio – ou seja, assassinadas apenas por serem mulheres. Isso significa que, em média, quatro mulheres morrem por dia no país por conta do machismo e da violência de gênero. E esse número nem considera todas as agressões, estupros e violências psicológicas que acontecem diariamente.

E o que fazem muitas marcas e instituições? Criam campanhas cor-de-rosa, dão brindes e distribuem flores como se isso resolvesse alguma coisa. Mas essa é uma forma de silenciar e maquiar a realidade. Em vez de discutir os problemas reais, tentam nos convencer de que somos "guerreiras", por suportar toda a carga que o sistema nos impõe, e que devemos ficar felizes com pequenos gestos enquanto seguimos morrendo.


O patriarcado sempre tentou nos manter no lugar de subserviência, reforçando a ideia de que a mulher tem que ser grata, passiva e delicada. Mas a gente não aceita mais isso. O 8 de março é um dia de luta, para lembrar que, por muito tempo, mulheres foram proibidas de votar, estudar, trabalhar e até de decidir sobre o próprio corpo. Até pouco tempo atrás, uma mulher casada precisava da autorização do marido para fazer uma laqueadura. Muitos direitos que temos hoje são recentes e vivem sendo ameaçados.


Então, não queremos flores. Queremos equidade, respeito, segurança e o direito de viver sem medo. Queremos que essa luta não seja só nossa – que os homens também se posicionem contra o feminicídio, a violência e o machismo estrutural.


Enquanto uma mulher for morta só por ser mulher, não tem nada para comemorar. O 8 de março não é sobre homenagens, é sobre resistência.

 


Imagem de capa: autoral Paula Dultra

1 Comment

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Áurea Añjaneya
Mar 08
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É por aí!!! Gratidão, Paula!!


Se não fosse as violências dos homens, não precisaríamos do Dia das Mulheres.


Resistência!!

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