A MELHOR HOMENAGEM ÀS MULHERES
- Áurea Añjaneya
- 8 de mar.
- 3 min de leitura

Basta de "flores e chocolate" para Elas. Não erre: faça ações para Eles. O ano todo.
Não apenas um dia (ou no máximo um mês).
Ensine os "meninos" de mais de 30 anos a serem homens que assumem as próprias responsabilidades, e não que descarregam nas mulheres suas frustrações e inseguranças.
Fale com Eles sobre os abusos psicológicos, físicos, sexuais, morais e patrimoniais que nossas meninas e mulheres sofrem todos os dias (sem trégua). Inclua até os mais "leves" abusos que todos "deixam passar", como pequenos comentários e assédios, justificados como “não foi nada, para que este histerismo”.
Inclusive o tal do “histerismo feminino” foi inventado para que maridos pudessem internar suas esposas em manicômios. Homens sempre se livrando das mulheres.
Mostre a Eles os números e a velocidade dos feminicídios...
Não precisa falar para as mulheres: nós já sabemos. Sentimos literalmente na pele.
Não precisamos de palavras bonitas e gestos de um dia (ou no máximo um mês). Queremos um basta na violência que segue impune e socialmente aceita. Queremos que os olhos que vêem não se calem. Gritem. Nos ajudem.
Os maiores perigos que as mulheres correm são causados por Eles.
Se somos “guerreiras” é porque a balança está desequilibrada, e desde muito cedo, cedo mesmo, temos que acumular uma carga física, mental, psicológica, estafante, esgotante e estressante porque Eles simplesmente seguem a cartilha do patriarcado no conforto dos seus privilégios. Não nos chame de “forte” e “guerreira” para que seja valorizada e normalizada esta injustiça. Antes disse, queremos ser felizes e livres.
Queremos andar nas ruas e coletivos todos os dias do ano sem nos preocuparmos incessantemente com as atitudes maldosas para com os nossos corpos, entre olhares, murmúrios e toques; queremos fluir livres de expressões sexuais sobre nossa existência a cada esquina e ambiente que frequentamos. O risco do perigo está sempre rondando nossos passos, e isso é muita tensão pesando em nossos ombros.
Queremos ser donas de nossos próprios corpos, de nossas mentes, de nossas emoções, de nosso trabalho, e do fruto dele. Que não nos venham dar pitacos. Estamos esgotadas de sermos subestimadas em nossas capacidades mental, intelectual, emocional, funcional, profissional...
Queremos que nossas crianças, meninos e meninas, sejam educados vendo o exemplo de homens que sabem lidar com as suas próprias emoções, enfrentando situações e relacionamentos sem o uso da violência.
Ah! Aproveita e, nessas ações para Eles, ensina que não há problema os meninos brincarem de boneca, casinha e/ou ajudarem nas tarefas domésticas: isso não vai definir a sexualidade deles, mas sim os ensinar a serem bons pais, bons maridos e adultos funcionais. O básico! Por favor. Que Eles deixem a homofobia deles trancafiada no consultório do psicólogo. Se procurarem, Eles vão achar muita coisa até atrás do armário.
Os convença da importância de se curarem.
De quebra, manda convites dessas ações para as mulheres que, de tão oprimidas, tristemente se moldaram ao patriarcado. Mesmo também sendo vítimas e sofrendo tanta violência social e doméstica.
O filho aprende e reproduz a violência que vê em casa.
E falando em "violência doméstica", não me entregue rosas na rua ou na empresa se em casa você maltrata as mulheres e crianças de sua vida. Nossa lar deve ser o local mais seguro, e não sinônimo de medo, agressões e falta de liberdade.
Não me venha com palavras e gestos de um dia (ou no máximo um mês) se você, mesmo que não cometa violência (ou você só acha que não...), se cala para nossas dores o resto do ano.
Não me afague um dia (ou no máximo um mês) se nos outros você me joga pedras.
Não haveria “Dia da Mulher” se não fosse a violência d'Eles.
Entenda: quem precisa ser o centro das atenções no “dia das mulheres" são os homens.
Texto: "A melhor homenagem às mulheres"
Autora: Áurea Añjaneya
@aurea.anjaneya
Na vitrola:
🎶 'Preta De Quebrada' - Flora Matos
🎶 'Não Precisa Ser Amélia' - Bia Ferreira
'🎶 'Mulheres (Versão Feminista)' - Silvia Duffrayer
Excelente e necessário.
Um texto de excelência!